Na recepção do hospital, com algumas gotas de sangue escorrendo pelo rosto, ela ainda está perplexa. Enquanto dançava na festa de domingo, foi surpreendida, por volta das 19h30, pelo golpe de cassetete de um dos três policiais que, segundo ela, começaram a bater em pessoas que estavam próximas, sem nenhum motivo aparente.
“Eles já tinham dado choque em um vizinho nosso, dizendo que ele estava bagunçando. Mas ele não tava fazendo nada! Levaram e 15 minutos depois trouxeram de volta. Aí uns 40 minutos depois, começaram a bater nas pessoas.
Vi o policial vindo com o cassetete, senti o golpe, mas nem entendi o que estava acontecendo”, diz, garantindo que não havia nenhuma confusão no momento da ação policial. Achando que só machucou a testa, perdeu os sentidos. Só acordou no hospital.
Os amigos e parentes que assistiram ao ato, no entanto, sabem o que aconteceu após Almerinda ir ao chão. “Abriu uma roda na multidão e ela caiu no meio. Viram o policial, quando percebeu o estado dela, botar a mão na cabeça, como quem diz: ‘Meu Deus, o que eu fiz?’”, conta a sua irmã, Rosilda das Neves, que estava a poucos metros da cena.
Ela ainda viu a equipe ser rapidamente trocada por outra, que teria reagido mal às queixas dos familiares. “Nos empurraram, enquanto a gente dava o socorro, porque começamos a reclamar da agressão”, acrescenta.
Mesmo com diversas testemunhas, Rosilda lembra de uma câmera, instalada próximo ao Colégio Estadual Azevedo Fernandes, que por sua localização, deve ter captado imagens do ocorrido. “Quem tiver acesso a essas imagens verá o que aconteceu”.
O coordenador do seTor de Comunicação da Polícia Militar, capitão Marcelo Pita, explica que não houve qualquer registro ou manifestação sobre o caso. “Precisamos que ela, através da Ouvidoria ou presencialmente, entre em contato conosco para que possamos obter informações e fazer a averiguação para identificar a patrulha, já que todos estavam com identificação. As imagens gravadas em vídeo são inclusive uma peça de informação que pode colaborar com as investigações”.
Família pensa em processar o Estado:
Almerinda trabalha para um buffet, fazendo doces e bolos por encomenda, e lamenta o tempo que vai ficar parada. “Agora não vou poder usar forno industrial por um bom tempo”, diz ela, que conta com o apoio das três irmãs, com quem mora no bairro de Santa Cruz, e do irmão, Raimundo Araújo das Neves, que está correndo atrás das providências.
Fonte: correio 24 horas